quarta-feira, 17 de junho de 2015

Bruxelas

dói?
doer dói
nessa mágoa profunda que remói.
Já haviam se passado quarenta dias desde que o esqueleto da pianista desapareceu.
ainda me lembro daquela sinfonia
tocada tanto quanto baldia
não era bonita, era
como se
fosse dois conjuntos de mandíbulas
roçando os dentes num primeiro beijo
que dispensava pontuação
Lembro que os poemas dela eram todos rimados como as notas negras, e os meus sempre foram excluídos cheio de versos brancos.
far-se-ia
far away
o elixir da morte
dar-te-ei
a minha crença na tua
volta
inventei verbo e
ateei
e a coisa mais bonita
que já
vi
foi aquele nó de marinheiro que
você fez
para enfeitar a sala
;com seu ~c o r p o~
E o ranger dos dentes me fazia dormir, no bruxismo, na macumba. Minha cabeça no seu colo, a poesia, a burguesia. Necessidade; as coisas melosas eu vomitei.
Maria
maria
dispersar-me-ia
eu lhe socorro
me socorre
quero aquela gastura que
me
aflige mais do que aliar panela
quero sua morte na minha
quero tocar como você
porque assim só toquei
porque só assim os dentes eu rangi
quando na sala, me suicidei
volta, pianista, já vou
vamos juntar nossos versos
vamos compor um piano
vamos quebrar nossos dentes
vamos ranger todo o ano
volta
só mais uma vez
deixa eu tocar esse esqueleto
e retalhar esses quarenta dias
porque
misturas não me enojam
e o melancólico me faz feliz
e as cordas do instrumento não sangram mesmo se forem rompidas
volta
meus olhos

estão saindo de casa...

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